quinta-feira, 26 de agosto de 2010

A saúde mental dos portugueses

Transcrição do artigo do médico psiquiatra Pedro Afonso, publicado no Público, 2010-06-21

Alguns dedicam-se obsessivamente aos números e às estatísticas esquecendo que a sociedade é feita de pessoas.

Recentemente, ficámos a saber, através do primeiro estudo epidemiológico nacional de Saúde Mental, que Portugal é o país da Europa com a maior prevalência de doenças mentais na população. No último ano, um em cada cinco portugueses sofreu de uma doença psiquiátrica (23%) e quase metade (43%) já teve uma destas perturbações durante a vida.

Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque assisto com impotência a uma sociedade perturbada e doente em que violência, urdida nos jogos e na televisão, faz parte da ração diária das crianças e adolescentes. Neste redil de insanidade, vejo jovens infantilizados incapazes de construírem um projecto de vida, escravos dos seus insaciáveis desejos e adulados por pais que satisfazem todos os seus caprichos, expiando uma culpa muitas vezes imaginária. Na escola, estes jovens adquiriram um estatuto de semideus, pois todos terão de fazer um esforço sobrenatural para lhes imprimirem a vontade de adquirir conhecimentos, ainda que estes não o desejem. É natural que assim seja, dado que a actual sociedade os inebria de direitos, criando-lhes a ilusão absurda de que podem ser mestres de si próprios.

Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque, nos últimos quinze anos, o divórcio quintuplicou, alcançando 60 divórcios por cada 100 casamentos (dados de 2008). As crises conjugais são também um reflexo das crises sociais. Se não houver vínculos estáveis entre seres humanos não existe uma sociedade forte, capaz de criar empresas sólidas e fomentar a prosperidade. Enquanto o legislador se entretém maquinalmente a produzir leis que entronizam o divórcio sem culpa, deparo-me com mulheres compungidas, reféns do estado de alma dos ex-cônjuges para lhes garantirem o pagamento da miserável pensão de alimentos.

Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque se torna cada vez mais difícil, para quem tem filhos, conciliar o trabalho e a família. Nas empresas, os directores insanos consideram que a presença prolongada no trabalho é sinónimo de maior compromisso e produtividade. Portanto é fácil perceber que, para quem perde cerca de três horas nas deslocações diárias entre o trabalho, a escola e a casa, seja difícil ter tempo para os filhos. Recordo o rosto de uma mãe marejado de lágrimas e com o coração dilacerado por andar tão cansada que quase se tornou impossível brincar com o seu filho de três anos.

Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque a taxa de desemprego em Portugal afecta mais de meio milhão de cidadãos. Tenho presenciado muitos casos de homens e mulheres que, humilhados pela falta de trabalho, se sentem rendidos e impotentes perante a maldição da pobreza. Observo as suas mãos, calejadas pelo trabalho manual, tornadas inúteis, segurando um papel encardido da Segurança Social.

Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque é difícil aceitar que alguém sobreviva dignamente com pouco mais de 600 euros por mês, enquanto outros, sem mérito e trabalho, se dedicam impunemente à actividade da pilhagem do erário público. Fito com assombro e complacência os olhos de revolta daqueles que estão cansados de escutar repetidamente que é necessário fazer mais sacrifícios quando já há muito foram dizimados pela praga da miséria.

Finalmente, interessa-me a saúde mental de alguns portugueses com responsabilidades governativas porque se dedicam obsessivamente aos números e às estatísticas esquecendo que a sociedade é feita de pessoas. Entretanto, com a sua displicência e inépcia, construíram um mecanismo oleado que vai inexoravelmente triturando as mentes sãs de um povo, criando condições sociais que favorecem uma decadência neuronal colectiva, multiplicando, deste modo, as doenças mentais.

E hesito em prescrever antidepressivos e ansiolíticos a quem tem o estômago vazio e a cabeça cheia de promessas de uma justiça que se há-de concretizar; e luto contra o demónio do desespero, mas sinto uma inquietação culposa diante destes rostos que me visitam diariamente.

Pedro Afonso
Médico psiquiatra

Protesto contra as execuções em curso na República Islâmica do Irão!


No próximo sábado (dia 28 de Agosto), em Lisboa, é dia de protesto contra a lapidação.

Estão todos/as convidados/as a participar neste protesto.

Vamos mostrar a nossa indignação e fazer do dia 28 de Agosto um dia contra a lapidação.

Local: Largo de Camões, Lisboa.

Hora: Sábado, 28 de Agosto de 2010 18:00


quinta-feira, 29 de julho de 2010

Censura de uma cena de afectividade na série "Morangos com Açúcar"!

Existe uma carta aberta dirigida à TVI por esta estação de televisão ter cedido à pressão homofóbica e ter censurado uma cena de afectividade protagonizada por um casal de rapazes na série "Morangos com Açúcar".

Eu subscrevo a carta.
Vejam a carta
aqui

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Mulheres no poder político!


A revista francesa Le Point publicou uma infografia, que o No Feminino Negócios reproduziu e nós partilhamos aqui, porque, de facto, ficamos com uma boa ideia sobre a liderança feminina em todo o mundo:

- as rainhas estão identificadas a roxo (Dinamarca, Reino Unido e Países Baixos);

- as chefes de governo
estão identificadas a verde (Alemanha, Austrália, Bangladesh, Croácia, Finlândia, Islândia e Eslováquia); e

- as chefes de estado eleitas a azul (Argentina, Costa Rica, Finlândia, Índia, Irlanda, Quirguistão, Libéria, Lituânia, Suíça e Trindade e Tobago).


O mundo já começa a ter alguma cor ;o)

quinta-feira, 22 de julho de 2010

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Parabéns Argentina!

Foi a vez da Argentina. Após um tenso e longo debate, que se prolongou por cerca de 15 horas, o Senado argentino aprovou ontem o casamento entre pessoas do mesmo sexo!

O projecto de lei do Governo foi aprovado e a Presidente já afirmou que promulgará a Lei.

Assim, a Argentina, onde 91% da população se diz católica, tornou-se no 1º país da América Latina e o 10º país no mundo a legislar a igualdade no acesso ao casamento!

Parabéns Argentina!


quarta-feira, 7 de julho de 2010

A libertação das mulheres muçulmanas começa em Marrocos!

Aqui está um artigo no Público sobre a mudança da condição feminina em Marrocos, de Paulo Moura (06-07-2010) com boas notícias.


Descreve as enormes mudanças em curso neste país muçulmano.


Muito interessante.



As mães estateladas

Desde 1965, subiu a quantidade de tempo gasto pelas mães nos cuidados com os filhos, apesar da maioria das mães estarem agora no mercado de trabalho. O aumento tem sido particularmente agudo entre as mães com educação superior.
Não apenas as mães que trabalham estão agora naquilo que nos anos 60 seriam dois empregos distintos- um dentro de casa e outro fora- , como o primeiro desses empregos tornou-se muito mais exigente do que era. As mães que tentam cumprir os novos padrões de parentalidade da classe média trabalhadora tem poucas opções: ou se sobrecarregam ou abandonam o mercado de trabalho.
Ler todo o artigo do Washington Post aqui.

CNN: DEATH BY STONING, 20100706

Parece que ainda estamos na pré-história!!

terça-feira, 6 de julho de 2010

República & republicanas

Lisboa
quinta-feira, 8 de Julho de 2010
Hora:
18:00 - 20:30
Local:
FCSH- Edifício ID
Rua:
Avenida de Berna, 26-C
Cidade/Localidade:
Lisboa



quinta-feira, 24 de junho de 2010

A primeira mulher a chefiar o Governo na Austrália!


De acordo com a Lusa (24 Junho), a Austrália passou hoje a ter, pela primeira vez, uma mulher na chefia do Governo, com a posse de Julia Gillard, que substituiu Kevin Rudd no cargo e na liderança do Partido Trabalhista.

Julia Gillard tem 48 anos, é natural de Gales, no Reino Unido, e licenciada em Direito. É oriunda de uma família que partiu para a Austrália quando a nova primeira-ministra tinha apenas quatro anos. É solteira, sem filhos e mantém uma relação com Tim Mathieson, um cabeleireiro.

A Sra primeira-ministra declarou ter grande admiração pelas mulheres que têm filhos, admitindo que ela própria não pôde enveredar por uma carreira política e cuidar de uma família...

De facto, como dizia hoje Manuel Lisboa (http://aeiou.expresso.pt//um-executivo-dedicado-ao-feminino=f589696), "o feminino tem sido o mais penalizado". É urgente "igualar ao nível do género..."!

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Eleições na Eslováquia

A primeira mulher a conseguir penetrar nas altas esferas da política centro-europeia, Iveta Radičová, líder do partido de centro-esquerda SDKU, será a nova primeira ministra da Eslováquia.

Não venceu as eleições do último fim de semana, mas os partidos de direita e centro conquistaram a maioria dos votos e vão formar uma coligação maioritária.

Iveta Radičová tem 53 anos, é diplomada em Oxford e é professora de sociologia. Foi candidata à Presidência nas eleições de 2009, vencida pelo actual presidente, Ivan Gasparovic. Foi ministra do Trabalho e Assuntos Sociais em 2005-2006 e eleita deputada democrata-cristã em 2006.


quarta-feira, 16 de junho de 2010

Seminário Internacional “ Desafiar a indiferença: género, igualdade e inclusão social”

A Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género (CIG) realiza o seminário Internacional “Desafiar a indiferença: género, igualdade e inclusão social”, no dia 25 de Junho, na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.



Consulte o programa

A ficha de inscrição está aqui.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Lançamento do livro - "Cometi um Crime? Representações sobre a (i)legalidade do aborto"


A apresentação pública do livro "Cometi um Crime? Representações sobre a (i)legalidade do aborto", de Boaventura de Sousa Santos, Ana Cristina Santos, Madalena Duarte, Carlos Barradas, Magda Alves, é já na próxima segunda-feira (14 de Junho de 2010), na FNAC do Chiado, em Lisboa, pelas 18:30 horas.


Apresentação de Manuela Tavares (investigadora em estudos sobre as mulheres) e Duarte Vilar (director executivo da Associação para o Planeamento da Família).

Apareçam!


sexta-feira, 4 de junho de 2010

Será que os homens estão tristes porque a era deles está a chegar ao fim?!

O jornal i (03 de Junho de 2010) entrevistou Avivah Wittenberg-Cox em Paris, à margem da conferência anual da OCDE sobre recuperação económica e emprego.

A consultora - umas das pensadoras consideradas mais influentes do novo feminismo no mercado de trabalho - salienta que as mulheres dominam nas universidades (60%), mas são ainda caso raro na liderança de governos e organizações - menos de 20%.

Diz que defender, hoje, o acesso das mulheres à liderança não é uma questão de direitos, mas de boa gestão pública e privada. A mudança já está em curso e os homens não têm nada que temer - "o fim do monopólio dos homens sobre a liderança na gestão vai libertá-los da camisa-de-forças da responsabilidade", ironiza.

Mas, a verdade e que a era deles ainda não está a chegar ao fim. "Acho que o medo pode chegar, mas por enquanto estamos numa total falta de consciencialização sobre o problema. Não têm medo porque não pensaram neste assunto dois minutos sequer nas suas carreiras
".

Veja a totalidade da notícia aqui:

http://www.ionline.pt/conteudo/62814-os-homens-estao-muito-tristes-porque-era-deles-esta-chegar-ao-fim