Inserida na campanha internacional "16 Dias de Activismo pela Eliminação da Violência de Género", esta acção da GATA desafia todas as pessoas a espalharem esta mensagem.
A ideia é que a imagem possa ser usada como sticker e colada em diversos locais – em particular nas portas dos WCs para homens, em espaços públicos. Usem as imagens ou os pdfs (aquieaqui).
Gravem-nas, publiquem-nas, partilhem-nas, imprimam-nas e distribuam-nas livremente – a ideia é chegar o mais longe possível!
Como já todas/os devem saber, juntamente com outras pessoas (da UMAR, ComuniDária e da SlutWalk Lisboa), eu estou a organizar a Marcha pelo Fim da Violência Contras Mulheres que ocorre no dia 25 de Novembro em Lisboa.
Obviamente não perdi a oportunidade para conversar sobre o assunto com a minha filha, que acabou de fazer 7 anos.
No fim-de-semana passado, ainda estávamos nós a seleccionar os cartazes que melhor fizessem passar a mensagem, eu pedi-lhe para ela participar na organização da marcha, realizando alguns cartazes. O material que surgiu foi este. Devo, desde já, dizer que fiquei muito orgulhosa da Alice - excepto a última frase de ordem. Mas, admitamos, após tanta mensagem, se alguém ainda não percebeu, talvez seja melhor recorrer à justiça retributiva ;-o)
Aparentemente, a educação conta! FRASES DE ORDEM:
Os seres humanos e as seres humanas são iguais para mim. E também acho que os pobres e as pobres devem ser tratados e tratadas como os ricos e as ricas!
Apesar de uma pessoa ser alta, não quer dizer que seja diferente!
Apesar de ser mais velha, não quer dizer que seja diferente!
As mulheres devem ter democracia, devem ter justiça e igualdade!
As mulheres não são diferentes. Dever ter os mesmos trabalhos. Eu acho! E deviam todos achar o mesmo. Mas enfim! Mas o que eu acho é o seguinte: as mulheres devem ser tratadas como os homens e devem ter as mesmas coisas!
As mulheres são como os homens, só têm umas partes que são diferentes e algumas coisas que crescem. Mas devem ser tratadas como os homens!
As mulheres devem poder ter os mesmos trabalhos que os homens, devem poder ter as mesmas coisas que os homens e têm que ser mais bem tratadas!
NÃO É NÃO!
SE AINDA NÃO PERCEBESTE DOU-TE UM PONTAPÉ NA CARA, PARA VERES O QUE AS MULHERES SOFREM!
Um dia destes vi um filme que uma amiga me emprestou. Fiquei muito impressionada! Fez-me recuar à minha infância e à minha aldeia natal. O filme, de 2003, chama-se “Às Cinco da Tarde” e conta uma história de resistência e de sobrevivência. Muito resumidamente, após a queda do regime Talibã, no Afeganistão, as mulheres começam a poder voltar à escola. Uma destas mulheres é Noqreh (Agheleh Rezaie), que vai à escola, mas às escondidas do seu pai (Abdolgani Yousefrazi), que é muito conservador e desaprova! Para tal, o uso da burca torna-se um estratégia muito útil.
Um dia, é realizado um grande debate na escola sobre a “condição feminina” e a possibilidade de as mulheres conquistarem os mesmos direitos que os homens. O debate faz com que estas jovens mulheres despertem as consciências e comecem a sonhar que um dia, também elas, poderão ser candidatas à Presidência da República. É o caso de Noqreh, que, com a ajuda de um amigo, começa a colocar a ideia em prática e chega mesmo a realizar cartazes e a colá-los pela cidade. Contudo, a realidade é demasiado dura e faz com que, juntamente com a sua família, ela parta, numa viagem pelo deserto, à procura de um local onde possam sobreviver.
Ao ver este filme, recordei as estratégias usadas por algumas mulheres da minha aldeia natal, onde vivi até 1986, no Norte de Portugal. Os papeis de género eram bem claros: as mulheres cuidavam da casa, da família e do campo; os maridos “ganhavam o pão”. Como tal, a maior parte das mulheres estava dependente dos homens, seja do marido, seja do pai. Estes eram a autoridade. A violência doméstica era recorrente. Se actualmente existem homens conservadores e sexistas, não imaginam naquela altura. Mas tudo parecia ser visto como “normal”, como se fosse o destino. Se uma mulher saía de casa porque o marido lhe bateu, logo havia alguém (nomeadamente mulheres) que dizia, “- Ai, que vergonha. Volta para casa, ele é teu marido! E tens os teus filhos para criar, como vais fazer?” Se as/os filhos deixassem de falar com o pai, logo havia alguém que dizia “Tens de lhe perdoar. É teu pai!”. Questiono-me agora se alguém dizia isso ao pai!
Neste contexto, no mínimo retrógrado, as mulheres também recorriam a várias estratégias, no sentido de procurar atingir os seus objectivos. Por ser menina, muito cedo começaram a chamar-me à atenção sobre como devia lidar com o marido: como devia fazer isto, ou fazer aquilo, que não devia contar tudo ao marido, que não lhe devia dizer se tivesse algum dinheiro, etc...
Embora eu tenha nascido e crescido naquele ambiente, muito cedo comecei a pensar de forma diferente daqueles homens e mulheres. Desde muito cedo, na irreverência da juventude, eu dizia que ia ser uma mulher autónoma e que nunca admitiria que algum homem me tratasse daquela forma, nem que me batesse. Se
o fizesse, seria a primeira vez e a última! Elas riam-se e diziam “sim, sim!”. Chamava-me ingénua.
Já naquela altura eu lhes dizia, que nós, as mulheres, não somos passivas. Tal como os homens, somos pessoas activas. E que era muito mais saudável partilhar a vida com o marido ou companheiro, do que recorrer a estratégias mirabolantes, e fazer pela calada. No verão passado, tive a oportunidade de voltar à minha terrinha uma semana inteira. A primeira impressão foi excelente. Está uma aldeia muito diferente da dos anos 80. Parece mais clara. As pessoas, muito graças às emigrantes, encarregaram-se de lhe lavar a cara. E cada casa é maior do que a outra.
No entanto, uma semana bastou-me para perceber que muitos daqueles homens continuam iguais, estagnaram no tempo, e que muitas daquelas estratégias continuam a ser usadas por algumas mulheres. E são estas que continuam a achar-me ingénua. Este é, de fac to, um problema de ordem simbólica, para o qual as mulheres muito contribuem. Por vezes, pergunto-me o que pensarão estes homens e mulheres quando vêem a minha relação com o meu marido e o que acham dele... Nem ouso escrever o que me veio à mente!
No dia 25 de Novembro, Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra as Mulheres, vamos sair à rua para dizer “CHEGA!”. Pode ver o evento também no Facebook: Marcha pelo Fim da Violência Contra as Mulheres
O Museu da Cidade, em Lisboa, está a receber a exposição "Frida Kahlo - As suas fotografias", entre hoje, 4 de Novembro, e 29 de Janeiro. Organizada em Portugal pela Casa da América Latina, é a primeira apresentação internacional desta exposição. No Pavilhão Preto do Museu da Cidade vão estar
Aqui está mais uma notícia, avançada pelo Jornal Público, que mostra bem a urgência de colocarmos mãos à obra, ou os pés na rua, nomeadamente no dia 25 de Novembro, com a Marcha pelo Fim da Violência Contra as Mulheres!
No dia 25 de Novembro, Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra as Mulheres, sairemos à rua para dizer: Nem mais uma! Não somos cúmplices ou indiferentes e estamos vigilantes!
Muito em breve divulgaremos aqui o Manifesto, assim como outras informações. Para já, podem aderir ao evento e divulgá-lo no facebook: https://www.facebook.com/event.php?eid=252561514796764 Obrigada
Este convite estende-se a toda a sociedade, mulheres e homens... Gostava muito que esta ideia "utópica" de José Saramago deixasse de o ser. Por isso, vamos todas/os juntas/os sair à rua no dia 25 de Novembro para manifestarmos não só a nossa indignação relativamente à violência contra as mulheres e as meninas, mas também relativamente às injustiças de vária penas!
Estrearam no passado dia 10 de Outubro (segunda-feira à noite) duas excelentes séries na FOX Life, quer em termos das assimetrias de classes, como de género:
“Mildred Pierce” - http://foxlife.canais-fox.pt/mildred-pierce, “Downton Abbey” - http://foxlife.canais-fox.pt/downton-abbey, Mildred Pierce tem apenas 5 episódios e Downton Abbey tem 7, mas, felizmente, já existe a segunda série. Para quem ainda não conhece e já perdeu os 2 primeiros episódios, vale sempre a pena.
No passado sábado, 15 de Outubro, como não podia deixar de ser, sobretudo após as medidas de austeridade anunciadas pelo primeiro ministro Passos Coelho, soit disant, para enfrentar a crise, lá estivemos na manifestação que começou no Marquês de Pombal e terminou na Assembleia da República!
Reivindicámos mais igualdade, mais justiça e mais democracia!
Cerca de 100 mil pessoas unidas pela mesma causa, só em Lisboa, a gritar que "o povo unido jamais será vencido", é inesquecível! Pelo menos, espero que ninguém esqueça, nem "o povo", nem o "governo"!
É imperativo que haja uma democracia mais participativa!
Aqui ficam dois dos vídeos que pode ver no youtube:
Ontem o Programa "Câmara Clara" ofereceu-nos uma excelente “aula” sobre feminismos. Convidada: Ana Luísa Amaral. A poeta, professora da Faculdade de Letras do Porto e feminista lembra-nos como ser feminista é uma forma boa de ser pessoa e explica-nos como a corrente (minoritária) do separatismo foi usada para estigmatizar os feminismos. Poesia e resistência ou arte e política são os temas abordados numa conversa onde abordam desde Carolina Beatriz Ângelo e Berlusconi, a Charlie Chaplin e Emily Dickinson, etc.
Podem ver o programa completo aqui: http://camaraclara.rtp.pt/
As Serviçais (ou The Help no original), é um filme sobre os direitos humanos, abordando a relação que existe entre algumas empregadas negras e as suas patroas brancas.
Concretamente, conta uma história (passada nos anos 60, no estado do Mississipi, nos Estados Unidos da América) de três mulheres que constroem uma amizade em torno de um projecto secreto. Se no início, começam por hesitar, entretanto, perante alguns (maus) acontecimentos, entram no projecto com uma coragem tal que correm enormes riscos, quebram as normas sociais e acabam por transcender os seus próprios limites.
As consequências levam a grandes mudanças.
Estão de parabéns, é um excelente filme! Evoca vários sentimentos, desde o orgulho à raiva, ou mesmo à vergonha!
O filme é realizado por Tate Taylor (adaptado do livro de Katheryn Stocketts) e é protagonizado, nomeadamente, por Emma Stone, Jessica Chastain, Octavia Spencer, Sissy Spacek e Viola Davis.
Hoje, oPrémio Nobel da Paz, atribuído pelo Instituto Nobel norueguês, foi concedido a três mulherespela sua "luta pacífica" pela paz, pela justiça, pela democracia, pelos direitos e pela segurançadas mulheres.
São estas mulheres, as liberianas Ellen Johnson-Sirleaf(a primeira mulher africana a ser eleita presidente, de forma democrática) e Leymah Gboweee a iemenitaTawakul Karman, que luta há vários anos no Iémen, tornando-se numa das líderes da “Primavera Árabe”.
Esta revista tem por objectivo divulgar (nacional e internacionalmente) a informação e produção científica dos domínios do Emprego, da Formação, do Trabalho, da Segurança Social e da Acção Social.
Saliento, obviamente, o artigo sobre “As desigualdades de género em tempos de crise: um contributo para a reflexão sobre as implicações da vulnerabilidade laboral”, da autoria de Sara Falcão Casaca.