segunda-feira, 27 de junho de 2011

SlutWalk de Lisboa - “o que tu merecias sei eu”!

Eu gostei muito de ter participado na SlutWalk de Lisboa e gostei mais ainda de ver que muita gente aderiu a esta luta pelo fim do machismo! Admito que teve mais sucesso do que aquilo que eu esperava, pois sei que ainda são muitas as resistências aos feminismos e ainda mais ao feminismo dito radical.

Obviamente foram várias as razões que nos levaram à Marcha no sábado. Por mim, não é preciso recuar muito na história para dar alguns exemplos, basta-me recordar 2 ou 3 sentenças muito recentes:

- Psiquiatra absolvido de violação de paciente grávida - Sociedade

2º- Treze meses de prisão, com pena suspensa, homem que desde 1969 batia na mulher

3º - o caso Strauss-Kahn

Nesta fase, alguém acredita que o Strauss-Kahn vai ser condenado e preso? Talvez! A verdade é que nunca se sabe quando é que a Justiça decide mostrar que funciona, dando um exemplo. Mas o simples facto de duvidarmos já significa alguma coisa, não é? Exemplos como os 3 que destaquei mostram bem como é triste e pouco justa a realidade! O comentário do polícia de Toronto foi a gota de água!

Por isso decidi participar.

Obviamente, ao contrário do que um blogueiro afirmou nos postes anteriores, nesta marcha, nós não nos dirigimos somente aos violadores (e por mim falo), porque isso seria utópico. Nós dirigimo-nos a toda a sociedade (homens, mulheres... ): queremos o fim do MACHISMO. Será ainda mais utópico?

Alguns comentários que tenho visto sobre a Slutwalk de Lisboa aqui e ali, fazem-me ver que sim. E desengane-se quem pensar que vêm só de homens. Alguns também vêm de mulheres. Conheço, pelo menos, um exemplo de uma mulher que foi à marcha (organizada por um grupo de pessoas com muito esforço) e tirou várias fotografias para depois as colocar na Internet (sem autorização das pessoas) e se divertir a comentá-las com os/as amigos. Acreditam?!

Como eu já disse aqui, eu prefiro manifestar-me e lutar por aquilo em que acredito de forma pacífica e limpa. Uma das minhas lutas é a igualdade de género, porque acredito que homens e mulheres têm os mesmos direitos e os mesmo deveres e que a sociedade mais igualitária será melhor para todos/as. Que isto chateia alguns homens não é de admirar, mas ver mulheres a chacotear sobre o trabalho das/os outros é, no mínimo, triste!

É caso para dizer “o que tu merecias sei eu”!

Precisamos de uma democracia com mais cidadania!

domingo, 26 de junho de 2011

Mais um vídeo da SLUTWALK LISBOA

NÃO é sempre NÃO!
Quando é SIM, não há ambiguidades ou dúvidas, porque sabemos o que queremos e sabemos ser claras!


terça-feira, 21 de junho de 2011

Mais um passo no sentido da democracia plena!

Hoje é um dia histórico, em termos de igualdade de género, na política portuguesa. Pela primeira vez, foi eleita uma mulher para presidir à Assembleia da República - Assunção Esteves - a segunda figura do Estado.

Assunção Esteves nasceu em Valpaços há 54 anos. É licenciada em Direito, mestre em Ciências Jurídico-Políticas e, segundo a Visão, também foi a primeira mulher a desempenhar o cargo de juíza no Tribunal Constitucional, onde esteve entre 1989 e 1998.Relativamente à política, também já tem um longo percurso. Foi eleita deputada do PSD em 1987, pelo círculo de Vila Real, e novamente em 2002. Em 2004 integrou a lista da coligação PSD/CDS-PP e foi eleita eurodeputada.

Na sua primeira intervenção, enquanto presidenta da Assembleia da República, Assunção Esteves defendeu, nomeadamente, que é exigido aos deputados [e eu incluiria, e às deputadas] uma "reinvenção da Democracia". Nós esperamos que esta reinvenção considere uma maior igualdade de género!

É preciso nunca esquecer que este momento é histórico, tendo sido precisos 37 anos de democracia para pensarem numa mulher para este cargo!

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Manifesto SlutWalk Lisboa

A manifestação é já no próximo sábado, dia 25 de Junho.

A concentração é no Largo Camões, a partir das 17h30.

NÃO, É NÃO!


Podem ver aqui o
Manifesto SlutWalk Lisboa


* SLUT, desavergonhada, puta, descarada, vadia, badalhoca, fácil.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

12ª Marcha do Orgulho LGBT, em Lisboa!

É já amanhã que o arco-íris sai à rua.

A concentração pré-marcha é às 16h30 no Jardim do Príncipe Real, para avançar às 17h.


Consulte o percurso da Marcha
aqui e leia o seu manifesto aqui.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Já ouviram falar no "Movimento Slutwalk", ou na "Marcha das Ordinárias"?

Trata-se de um movimento internacional pelos direitos das mulheres que tem vindo a crescer e está agora a chegar ao nosso país.

O SlutWalk nasceu no início deste ano em Toronto, no Canadá,

depois de um policia ter aconselhado as mulheres a não se vestirem como "ordinárias" para evitar serem vítimas de violência sexual. Ou seja, em vez de o agente da polícia se dirigir ao/à criminoso/a, passou a mensagem de que, se se vestir de forma “provocante”, a vítima é culpada dos crimes sexuais a que é sujeita.

Obviamente, as mulheres são desrespeitadas e agredidas sexualmente todos os dias, mas a culpa não é da roupa, nem dos saltos altos. A culpa é sim do machismo que ainda existe na nossa sociedade. Aliás, é do conhecimento público que, em alguns casos jurídicos, a forma de vestir e de comportar das vítimas serviram, muitas vezes, de atenuante na sentença de alguns criminosos.

Felizmente, em Toronto, a reacção não se fez esperar: um mês depois, 3 mil pessoas, sobretudo mulheres, vestidas como quiseram, protestaram nas ruas desta cidade, em defesa das vítimas e do seu direito à autonomia sobre seus corpos.

Desde essa altura, foram organizadas manifestações em vários países, no sentido de chamar à atenção para a violência sexual contra as mulheres.

De facto, o Movimento já chegou ao México, com a 'Marcha das vagabundas', onde algumas das principais mensagens eram “Nem putas, nem santas, somos mulheres!” e “Não, significa não!”.

Também já chegou a Sydney e ao Brasil, com a “Marcha das Vadias”, a "Marcha das Vagabundas", ou a "Marcha Anti-Machismo" .

No sábado passado, também em Londres, Milhares desfilaram (de mulheres e alguns homens) nas ruas de Londres pelo direito de vestir roupa provocante sem recear agressões. Manifestaram-se pelo direito de se vestirem como quiserem e protestaram contra as agressões sexuais.

No dia 25 de Junho irá ocorrer a Slutwalk Lisboa - pela autodeterminação sexual em qualquer circunstância!

Daremos mais informações sobre este evento nos próximos dias.

sábado, 28 de maio de 2011

A primeira mulher portuguesa a votar, fê-lo há 100 anos!


Já aqui dissemos, mas nunca é demais recordar que Carolina Beatriz Ângelo foi a primeira mulher portuguesa a votar.

Votou nas eleições para a Assembleia Constituinte em 1911, precisamente
há cem anos! A esse propósito, recomendo este excelente trabalho de São José Almeida que saiu hoje no Jornal Público.


Excelente filme!

"Três mulheres partilham a mesma sensação: todas elas foram profundamente afectadas pela adopção.

Karen (Annette Bening) uma mulher de meia-idade, amarga e solitária, engravidou aos 14 anos e na altura não teve outra escolha que não a de entregar a criança para adopção. Porém nunca conseguiu ultrapassar o trauma de nunca ter conhecido a filha.

Elizabeth (Naomy Watts), criada como filha adoptiva, é hoje uma brilhante e ambiciosa advogada que nunca procurou o rasto da sua mãe biológica até ao dia em que engravida.
Lucy (Kerry Washington), por seu lado, está, juntamente com o seu marido, determinada em enfrentar uma odisseia para adoptar uma criança que se torne sua.
Confrontadas, simultaneamente, com uma importante escolha de vida, as 3 mulheres vêem os seus destinos cruzarem-se de uma forma inesperada.

Produzido por Alejandro Gonzalez Inarritu, realizador de Babel e Biutiful, com poderosas interpretações..."


Um filme repleto de emoções fortes e sentimentos controversos."


sexta-feira, 27 de maio de 2011

Andar para trás? Não, obrigada!

Em declarações à Rádio Renascença ontem o líder do PSD, o Dr. Pedro Passos Coelho que quer reavaliar lei do aborto e admitiu novo referendo. Considera que a lei, aprovada pelo Parlamento, e com a qual concordou, pode “ter ido um pouco longe demais” e tem de ser reavaliada, não excluindo a possibilidade de realização de um novo referendo sobre a matéria!

Pois eu tenho a opinião contrária Dr. Passos Coelho, eu acho que nós esperamos foi tempo demais por esta lei! Portugal foi um país que até ao séc. XXI (precisamente, 2007) obrigava as mulheres a colocar a sua vida em perigo, persegui-as e chegou mesmo a condenar algumas com vários anos de prisão!

Com esta lei, demos um enorme passo à frente no que diz respeito aos direitos humanos e aos direitos das mulheres e, obviamente, as suas declarações foram acolhidas com grande indignação tanto pelas pessoas que votaram SIM ao aborto, como pelas pessoas que lutaram para isso durante mais de três décadas!

Veja, por exemplo,

Sugestão de Passos Coelho põe em causa luta de três décadas das mulheres portuguesas - UMAR

UMAR contra proposta de Passos Coelho sobre lei do aborto

De facto, organizações, como a UMAR, tiveram um papel fundamental ao longo de todos estes anos, trabalhando pelo direito à dignidade das mulheres e por um direito de escolha que antes lhes era negado no nosso país. E esse direito foi legitimado pelo referendo de 2007. Por isso, há que respeitar a vontade das pessoas!

A dirigente da UMAR, Manuela Tavares, considerou um absurdo que o debate sobre o aborto surja nesta campanha, é “triste que um líder político à busca de votos” procure “agradar nas áreas mais conservadoras e retrógradas”! É uma contradição!

Também a Associação para o Planeamento da Família (APF) rejeita a reavaliação da lei do aborto, lembrando que lei do aborto tem sido sempre avaliada desde que entrou em vigência há quatro anos. Duarte Vilar, da APF, referiu que, ao contrário do que afirmou o Dr. Passos Coelho, a “lei tem sido objecto de avaliações várias: todas as IVG estão registadas, a Direcção-Geral de Saúde tem feito relatórios semestrais e anuais sobre a IVG, tem havido inspecções aos serviços de IVG feitas pela Inspecção-Geral da Saúde e têm ocorrido encontros anuais de profissionais envolvidos nos serviços de IVG de todo o país”.

Segundo Manuela Tavares, o número de abortos tem diminuído. Por isso, este facto já é uma vitória para a lei, para as mulheres e para o país! Mas nada melhor do que ouvir a Própria Professora Manuela Tavares:

sábado, 21 de maio de 2011

Amelia Earhart e a realização de um sonho...ou não!

Hoje vi, finalmente, “Amelia”, um filme com Hilary Swank, Richard Gere e Ewan McGregor. Retrata a vida de Amelia Mary Earhart, pioneira na aviação dos Estados Unidos, autora e defensora dos direitos das mulheres.

Amelia Earhart recebeu uma condecoração por ter sido a 1ª mulher a voar sozinha sobre o oceano Atlântico. Bateu diversos outros recordes, escreveu livros sobre suas experiências de voo, e foi essencial na formação de organizações para mulheres que desejavam pilotar.

O seu modo de vida, o seu espírito de aventura, a sua carreira e o modo como desapareceu fascinam as pessoas até hoje. Amelia Earhart é, de facto, um exemplo de como a persistência pode ajudar a conseguir realizar um sonho!
Aqui fica um cheirinho.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Será a justiça neutra? - "A violência das coisas"!

Ainda a propósito do acórdão de 13.04.2011 do Tribunal da Relação do Porto, que absolveu o psiquiatra João Villas-Boas da prática do crime de violação sexual, finalmente, vejo um excelente artigo «A violência das coisas», da autoria da Professora Doutora Teresa Pizarro Beleza, que também pode encontrar no site da Faculdade de Direito da UNL.

Revela bem como a nossa justiça já está velhinha, retrógrada, e começa a estar cega e surda... na minha opinião, em casos assim mais valia era ficar muda!


terça-feira, 17 de maio de 2011

Hoje, 17 de Maio, assinala-se o Dia Mundial de Luta contra a Homofobia e Transfobia


É tempo de «romper o silêncio e combater a vergonha». Para tal, há várias iniciativas organizadas para hoje, como pode ver aqui:

Para participar neste evento e «assinalar a luta contra a homofobia e a transfobia e em memória das pessoas que sofreram violência ou morreram por estas razões», use uma peça de roupa roxa.

sábado, 14 de maio de 2011

NÃO é NÃO!


NÃO é NÃO!

SOMOS MULHERES
E RECUSAMO-NOS A SER VIOLADAS...
AINDA QUE "GENTILMENTE"!

QUEREMOS JUSTIÇA!

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Seminário Internacional Carolina Beatriz Ângelo


Por iniciativa da UMAR em parceria com CEMRI, Faces de Eva e APEM, o Seminário ocorre no dia 28 de Maio, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade Nova de Lisboa. Auditório 1.

A entrada é gratuita e com direito a Certificado de Presença, mediante preenchimento da Ficha de Inscrição e respectivo envio para:

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Violência Doméstica – Números assustadores


É de salientar que, desde que a violência doméstica é crime público que as denúncias de violência doméstica têm vindo a aumentar, em média, 12% ao ano.

De
2008 para 2009, as denúncias aumentaram 10%, mas de 2009 para 2010 o aumento já foi muito inferior (2%).

No entanto, continuam a ser números assustadores.

Por isso, volto a salientar. É importante que não se cale, denuncie, identifique!

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Histórias de paixão!

Apaixonadamente, Isabel Allende conta-nos histórias tristes que ilustram muito bem a importância de continuar a haver os feminismos!

quinta-feira, 28 de abril de 2011

O Controle Social da Imagem das Mulheres nos Média

Este vídeo sobre o género e os Média é muito interessante. Embora os exemplos relatados estejam directamente relacionados com casos do Brasil, também nós reconhecemos muito bem esta realidade:

  • Os média vistos como um mecanismo que legitima a ideologia dominante,
  • Que mantém e justifica o androcentrismo e a heterossexualidade hegemónica,
  • Que desvaloriza as mulheres, sobretudo as mulheres negras,
  • Relatam as mulheres não só como consumidoras, mas também como produto.
  • Os média não criam o preconceito, porque ele já existe na sociedade, mas reforçam-no.
  • A democracia não será plena enquanto não houver um sistema de comunicação realmente democrático,
  • Tem de haver um controle social dos média, para que estes adoptem um papel mais activo na mudança do sistema, um sistema mais equitativo, justo e democrático.


terça-feira, 26 de abril de 2011

Potiche - Minha Rica Mulherzinha

Aqui fica a sugestão de um bom filme numa perspectiva de género.

Muito resumidamente, em 1977, Suzanne (Catherine Deneuve) é a mulher submissa de um rico industrial, Robert Pujol, que dirige a fábrica (deixada pelo pai dela) com mão de ferro. Robert é um tirano para os seus trabalhadores e trabalhadoras, mas também para ela, o seu filho e a sua filha.
Entretanto, por causa de uma greve na fábrica, Robert é obrigado a descansar e passar algum tempo fora, Suzanne assume a liderança da fábrica. Para surpresa de todos/as, esta prova ser uma óptima líder, que com a ajuda do deputado comunista, Maurice Babin (Gérard Depardieu - com quem teve uma relação casual no passado) consegue parar a greve dos/as trabalhadores,as oferecer-lhes melhores condições e reerguer a fábrica.
Contudo, quando Robert regressa, a situação complica-se e este acaba por voltar à direcção da fábrica...mas, por outro lado,
Suzanne nunca mais será a mesma ;o)

Fascismo nunca mais, 25 de Abril sempre!

Ontem, Portugal comemorou o 37º aniversário do 25 de Abril.
Estive na Avenida da Liberdade e não me fartei de ouvir e dizer "Fascismo nunca mais, 25 de Abril sempre!
..."Fascismo nunca mais, 25 de Abril sempre! ..."Fascismo nunca mais, 25 de Abril sempre!

Viva o 25 de Abril!

Por uma LIBERDADE, uma IGUALDADE
, uma JUSTIÇA, uma SOLIDARIEDADE, e uma FRATERNIDADE cada vez maiores. Ou seja, por uma DEMOCRACIA cada vez mais plena!

É importante continuarmos a comemorar o 25 de Abril, não só para homenagear os/as resistentes antifascistas e todos/as os/as pessoas que lutaram numa altura
de ditadura e de guerra, mas também para passar não deixar esquecer e passar mensagem aos/às mais jovens sobre este importante episódio da história portuguesa...que não podemos deixar que se repita!


quinta-feira, 14 de abril de 2011

Um óptimo exemplo que nos chega da Tunísia!

Agora que por cá voltamos a centrar-nos nas eleições legislativas e que a nossa "Lei da Paridade" apenas assegura que haja 33,3% de cada um dos sexos nas listas, é bom apontar os bons exemplos que nos chegam do exterior, pois nunca se sabe se podem ser inspiradores!


Desta vez, foi a vez da Tunísia tomar a iniciativa (sem precedentes no mundo muçulmano) de implementar a paridade entre homens e mulheres nas listas, como pode ver nesta notícia:
Túnez opta por la paridad en sus primeras elecciones

terça-feira, 12 de abril de 2011

Desigualdade de género no trabalho não pago!

De acordo com o Jornal Público de hoje, um estudo revelado pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico) revela que Portugal é dos países onde as mulheres mais trabalham em casa.
De facto, entre os 29 países analisados, o nosso surge como o 4º país onde a desigualdade de género é maior relativamente ao trabalho não pago: os homens trabalham pouco mais do que 1:30 hora por dia; e as mulheres trabalham aproximadamente 4 horas a mais do que eles.

Aparentemente, só na Índia, no México e na Turquia é que a qualidade de vida das mulheres é melhor do que em Portugal... é caso para dizer que ainda nos faltam algumas horas de caminho para a igualdade!

sexta-feira, 1 de abril de 2011

"SAGRES somos nós!". Nós, quem?!

A Sagres tem uma nova campanha publicitária. Apresenta uma música, chamada “Sagres Somos Nós”, interpretada por Tim (dos Xutos & Pontapés), Diogo Dias (Klepht) e Expensive Soul. Como se pode ver no vídeo, integram a campanha também Luís Figo, Soraia Chaves, João Manzarra e Rita Andrade.

Se participaram, julgo que se devem rever neste Portugal. Pessoalmente, não me revejo quase nada, só mesmo no Galo de Barcelos, terra que me viu nascer!

E mais uma vez, fiquei chocada!

Ora vejamos, de acordo com a Revista Meios & Publicidade, esta campanha está a ser encarada pela empresa como uma NOVA ETAPA na sua comunicação... diz que é o culminar de um trabalho de 6 meses, está orçada em 3 milhões de euros!

E o que há de novo?!

Para mim, NADA! Continua direccionada sobretudo aos homens e as mulheres continuam a ser retratadas sobretudo como um objecto de prazer...como sempre!

Agora, que se tem falado tanto de direitos e deveres de cidadania, pergunto:

Quais são mesmo os deveres cívicos dos meios de comunicação!?


quinta-feira, 31 de março de 2011

A precariedade e as mulheres


O trabalho precário é actualmente um dos maiores problemas da nossa sociedade e afecta particularmente as mulheres, uma vez que são duplamente discriminadas.

Por essa razão, mulheres e homens devem lutar para combater a precariedade e conquistar direitos, participando aqui, no MayDay Lisboa 2011: A precariedade e as mulheres.

MayDay Lisboa, 2011

Quando: Domingo, 1 de Maio às 13h.

Onde: Largo de Camões - Lisboa


quarta-feira, 30 de março de 2011

domingo, 27 de março de 2011

Queremos mais mulheres políticas!


Numa altura de crise política no nosso país, em que já se fala em eleições e nos prováveis vencedores (assim mesmo no masculino!), o Jornal Expresso de sábado (26 de Março, 2011) publica uma boa crónica de Faranaz Keshavjee que nos obriga a reflectir sobre algumas questões fundamentais num país democrático.

Pode ler a crónica aqui:

Crise política e crise de género. Onde estão as mulheres?

quarta-feira, 23 de março de 2011

APRESENTAÇÃO DA BASE DE DADOS EM ESTUDOS SOBRE AS MULHERES

Lançamento da Base de Dados em Estudos sobre as Mulheres
A apresentação da Base de Dados em Estudos Sobre as Mulheres, que terá lugar no dia 31 de Março de 2011, pelas 17h00, na Sala de Atos da Universidade Aberta.

Homenagem a Elizabeth Taylor (1932-2011)

A actriz morreu em Los Angeles, nos EUA, aos 79 anos de idade.
Filha de pai e mãe americano/a, nasceu em Inglaterra em 1932 e mudou-se para os EUA em 1939.
Começou a sua carreira no cinema muito nova, tendo apenas 10 anos quando participou no filme "There's One Born Every Minute". Mais tarde, em 1943 participou na série "Lassie".

Venceu 2 Óscares da Academia na década de 1960 pelos papéis nos filmes "Quem tem medo de Virginia Woolf" (1967) e "Butterfield 8" (1961). Foi ainda nomeada para mais 3 Óscares com os filmes "A Árvore da Vida" (1958), "Gata em Telhado de Zinco Quente" (1959) e "Bruscamente no Verão Passado" (1960). Embora "Cleópatra" (1963) não lhe tenha valido qualquer nomeação para os Óscares, o filme é um dos seus grandes sucessos.

A actriz também foi activista, tendo participado e organizado vários eventos a favor de causas humanitárias, nomeadamente contra a SIDA. Em 1991 fundou a American Foundation for AIDS Research (AmFar), após a morte do seu colega actor e grande amigo Rock Hudson, em 1985.

Ver Fotogaleria

terça-feira, 22 de março de 2011

Há imagens que dizem mais do que mil discursos!



Diz o anúncio "Porque há coisas que só acontecem às mulheres [como, por exemplo, romper as meias?!], a Fidelidade Mundial e a Império Bonança têm o Seguro Mulher. É um seguro de vida criado para a proteger em caso de doenças graves femininas (...) (e.g., ver revista Visão, p.22, Nº. 940)

segunda-feira, 21 de março de 2011

Hoje celebra-se o Dia da Poesia!

Por isso, deixo aqui “Catarina Eufémia”, um poema de Sophia de Mello Breyner Andresen

O primeiro tema da reflexão grega é a justiça
E eu penso nesse instante em que ficaste exposta
Estavas grávida porém não recuaste,
Porque a tua lição é esta: fazer frente

Pois não deste homem por ti
E não ficaste em casa a cozinhar intrigas
Segundo o antiquíssimo método obliquo das mulheres
Nem usaste de manobra ou de calúnia
E não serviste apenas para chorar os mortos

Tinha chegado o tempo
Em que era preciso que alguém não recuasse
E a terra bebeu um sangue duas vezes puro

Porque eras a mulher e não somente a fêmea
Eras a inocência frontal que não recua
Antígona poisou a sua mão sobre o teu ombro
no instante em que morreste
E a busca da justiça continua

domingo, 13 de março de 2011

As Mulheres não são Homens!


Ainda a propósito do Dia Internacional das Mulheres, veja a crónica de Boaventura Sousa Santos na última Revista VISÃO (Nº 940, 10 a 16 de Março de 2011)
- As Mulheres não são Homens

Salientarei aqui apenas duas frases:

- Os dias ou anos internacionais não são, em geral, celebrações. São modos de assinalar que há pouco para celebrar e muito para denunciar e transformar.

- Ser feminista significa reconhecer que a discriminação existe e é injusta e desejar activamente que ela seja eliminada.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Bastonário da Ordem dos Médicos considera publicação claramente homofóbica na Revista da Ordem "normal"!

Na edição de Janeiro da Revista da Ordem dos Médicos foi publicado um artigo de opinião intitulado “O sentido do sexo” da autoria de William H. Clode, director do Instituto Português de Oncologia (IPO). Neste artigo, o autor aborda os cinco sentidos, o "sexto sentido" e o "daltonismo dos sentidos". Nesta última secção entre várias afirmações, podemos encontrar que: "A sociedade homossexual diferencia-se da heterossexual pelos gestos, pela fala, pela indumentária, pelos gostos e por manifestações subtis que identificam um comportamento." e "a homossexualidade é conhecida desde que o ser humano está na História do Planeta. É repudiada em todas as civilizações, mas tolerada nas civilizações mais evoluídas pois a humanidade aprende a respeitar os doentes, os defeituosos, os anormais, os portadores de taras…"

Dito isto, podiamo-nos questionar sobre o pensará José Manuel Silva (bastonário da Ordem dos Médicos, recentemente eleito) sobre este artigo homofóbico?

Pode ler aqui o excerto da polémica:




A Rede Ex-aequo (associação de jovens lésbicas, gays, bissexuais, transgéneros e simpatizantes) escreveu uma carta aberta ao bastonário da Ordem dos Médicos e à Direcção da Revista da Ordem dos Médicos, pedindo a condenação do artigo de William H. Clode. De acordo com o Jornal público, basicamente, o Bastonário dos médicos acha “normal” texto contra homossexuais - Sociedade - PUBLICO.PT

Em suma, há neste artigo uma discriminação que é flagrante, no qual os homossexuais são classificados como “doentes”, “defeituosos”, “anormais”, “portadores de taras”, com “condutas repugnantes”, “higiene degradante” e que requerem “correcção”, e o Bastonário simplesmente recusa-se a dar a sua opinião sobre o artigo!? E ainda salienta que a Revista da Ordem “é plural e livre” e que “os artigos de opinião são da responsabilidade dos seus autores”?! E continua, clarificando que “Não há censura na Revista da Ordem dos Médicos, nem ninguém na Revista usa as suas opiniões pessoais para censurar a opinião dos outros. Isso não seria estar a viver em democracia”, defendeu o bastonário, que considera que tudo foi feito de “forma transparente, democrática e normal”?!

Então, será que o sr Bastonário conhece, por exemplo, o art.13.º da CRP?

Há que fazer bem o trabalho de casa para se evitar dizer este tipo de barbaridades. Já todos/as sabemos, por exemplo, que há duas décadas que a OMS retirou a homossexualidade da sua lista de doenças mentais e que a Amnistia Internacional considera a discriminação contra homossexuais uma violação aos direitos humanos!

O Código Penal também prevê no art.º 240 a punição de crimes de “discriminação racial, religiosa ou sexual”. De acordo com o Código Penal, “quem, em reunião pública, por escrito destinado a divulgação ou através de qualquer meio de comunicação social ou sistema informático destinado à divulgação (...) difamar ou injuriar pessoa ou grupo de pessoas por causa da sua raça, cor, origem étnica ou nacional, religião, sexo ou orientação sexual (...) é punido com pena de prisão de seis meses a cinco anos”.

Neste contexto, como pode o sr Bastonário querer tratar deste artigo, claramente homofóbico, como um mero artigo de opinião, escrito num país livre e democrático!? Parece claramente acreditar que em democracia tudo é permitido?!

Sugiro, então, um exercício velho, mas simples: coloquem-se sempre no lugar das outras pessoas e não lhes façam aquilo que não gostariam que vos fizessem!

A Ordem dos Médicos pode ser contactada através deste site.