quinta-feira, 28 de abril de 2011

O Controle Social da Imagem das Mulheres nos Média

Este vídeo sobre o género e os Média é muito interessante. Embora os exemplos relatados estejam directamente relacionados com casos do Brasil, também nós reconhecemos muito bem esta realidade:

  • Os média vistos como um mecanismo que legitima a ideologia dominante,
  • Que mantém e justifica o androcentrismo e a heterossexualidade hegemónica,
  • Que desvaloriza as mulheres, sobretudo as mulheres negras,
  • Relatam as mulheres não só como consumidoras, mas também como produto.
  • Os média não criam o preconceito, porque ele já existe na sociedade, mas reforçam-no.
  • A democracia não será plena enquanto não houver um sistema de comunicação realmente democrático,
  • Tem de haver um controle social dos média, para que estes adoptem um papel mais activo na mudança do sistema, um sistema mais equitativo, justo e democrático.


terça-feira, 26 de abril de 2011

Potiche - Minha Rica Mulherzinha

Aqui fica a sugestão de um bom filme numa perspectiva de género.

Muito resumidamente, em 1977, Suzanne (Catherine Deneuve) é a mulher submissa de um rico industrial, Robert Pujol, que dirige a fábrica (deixada pelo pai dela) com mão de ferro. Robert é um tirano para os seus trabalhadores e trabalhadoras, mas também para ela, o seu filho e a sua filha.
Entretanto, por causa de uma greve na fábrica, Robert é obrigado a descansar e passar algum tempo fora, Suzanne assume a liderança da fábrica. Para surpresa de todos/as, esta prova ser uma óptima líder, que com a ajuda do deputado comunista, Maurice Babin (Gérard Depardieu - com quem teve uma relação casual no passado) consegue parar a greve dos/as trabalhadores,as oferecer-lhes melhores condições e reerguer a fábrica.
Contudo, quando Robert regressa, a situação complica-se e este acaba por voltar à direcção da fábrica...mas, por outro lado,
Suzanne nunca mais será a mesma ;o)

Fascismo nunca mais, 25 de Abril sempre!

Ontem, Portugal comemorou o 37º aniversário do 25 de Abril.
Estive na Avenida da Liberdade e não me fartei de ouvir e dizer "Fascismo nunca mais, 25 de Abril sempre!
..."Fascismo nunca mais, 25 de Abril sempre! ..."Fascismo nunca mais, 25 de Abril sempre!

Viva o 25 de Abril!

Por uma LIBERDADE, uma IGUALDADE
, uma JUSTIÇA, uma SOLIDARIEDADE, e uma FRATERNIDADE cada vez maiores. Ou seja, por uma DEMOCRACIA cada vez mais plena!

É importante continuarmos a comemorar o 25 de Abril, não só para homenagear os/as resistentes antifascistas e todos/as os/as pessoas que lutaram numa altura
de ditadura e de guerra, mas também para passar não deixar esquecer e passar mensagem aos/às mais jovens sobre este importante episódio da história portuguesa...que não podemos deixar que se repita!


quinta-feira, 14 de abril de 2011

Um óptimo exemplo que nos chega da Tunísia!

Agora que por cá voltamos a centrar-nos nas eleições legislativas e que a nossa "Lei da Paridade" apenas assegura que haja 33,3% de cada um dos sexos nas listas, é bom apontar os bons exemplos que nos chegam do exterior, pois nunca se sabe se podem ser inspiradores!


Desta vez, foi a vez da Tunísia tomar a iniciativa (sem precedentes no mundo muçulmano) de implementar a paridade entre homens e mulheres nas listas, como pode ver nesta notícia:
Túnez opta por la paridad en sus primeras elecciones

terça-feira, 12 de abril de 2011

Desigualdade de género no trabalho não pago!

De acordo com o Jornal Público de hoje, um estudo revelado pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico) revela que Portugal é dos países onde as mulheres mais trabalham em casa.
De facto, entre os 29 países analisados, o nosso surge como o 4º país onde a desigualdade de género é maior relativamente ao trabalho não pago: os homens trabalham pouco mais do que 1:30 hora por dia; e as mulheres trabalham aproximadamente 4 horas a mais do que eles.

Aparentemente, só na Índia, no México e na Turquia é que a qualidade de vida das mulheres é melhor do que em Portugal... é caso para dizer que ainda nos faltam algumas horas de caminho para a igualdade!

sexta-feira, 1 de abril de 2011

"SAGRES somos nós!". Nós, quem?!

A Sagres tem uma nova campanha publicitária. Apresenta uma música, chamada “Sagres Somos Nós”, interpretada por Tim (dos Xutos & Pontapés), Diogo Dias (Klepht) e Expensive Soul. Como se pode ver no vídeo, integram a campanha também Luís Figo, Soraia Chaves, João Manzarra e Rita Andrade.

Se participaram, julgo que se devem rever neste Portugal. Pessoalmente, não me revejo quase nada, só mesmo no Galo de Barcelos, terra que me viu nascer!

E mais uma vez, fiquei chocada!

Ora vejamos, de acordo com a Revista Meios & Publicidade, esta campanha está a ser encarada pela empresa como uma NOVA ETAPA na sua comunicação... diz que é o culminar de um trabalho de 6 meses, está orçada em 3 milhões de euros!

E o que há de novo?!

Para mim, NADA! Continua direccionada sobretudo aos homens e as mulheres continuam a ser retratadas sobretudo como um objecto de prazer...como sempre!

Agora, que se tem falado tanto de direitos e deveres de cidadania, pergunto:

Quais são mesmo os deveres cívicos dos meios de comunicação!?


quinta-feira, 31 de março de 2011

A precariedade e as mulheres


O trabalho precário é actualmente um dos maiores problemas da nossa sociedade e afecta particularmente as mulheres, uma vez que são duplamente discriminadas.

Por essa razão, mulheres e homens devem lutar para combater a precariedade e conquistar direitos, participando aqui, no MayDay Lisboa 2011: A precariedade e as mulheres.

MayDay Lisboa, 2011

Quando: Domingo, 1 de Maio às 13h.

Onde: Largo de Camões - Lisboa


quarta-feira, 30 de março de 2011

domingo, 27 de março de 2011

Queremos mais mulheres políticas!


Numa altura de crise política no nosso país, em que já se fala em eleições e nos prováveis vencedores (assim mesmo no masculino!), o Jornal Expresso de sábado (26 de Março, 2011) publica uma boa crónica de Faranaz Keshavjee que nos obriga a reflectir sobre algumas questões fundamentais num país democrático.

Pode ler a crónica aqui:

Crise política e crise de género. Onde estão as mulheres?

quarta-feira, 23 de março de 2011

APRESENTAÇÃO DA BASE DE DADOS EM ESTUDOS SOBRE AS MULHERES

Lançamento da Base de Dados em Estudos sobre as Mulheres
A apresentação da Base de Dados em Estudos Sobre as Mulheres, que terá lugar no dia 31 de Março de 2011, pelas 17h00, na Sala de Atos da Universidade Aberta.

Homenagem a Elizabeth Taylor (1932-2011)

A actriz morreu em Los Angeles, nos EUA, aos 79 anos de idade.
Filha de pai e mãe americano/a, nasceu em Inglaterra em 1932 e mudou-se para os EUA em 1939.
Começou a sua carreira no cinema muito nova, tendo apenas 10 anos quando participou no filme "There's One Born Every Minute". Mais tarde, em 1943 participou na série "Lassie".

Venceu 2 Óscares da Academia na década de 1960 pelos papéis nos filmes "Quem tem medo de Virginia Woolf" (1967) e "Butterfield 8" (1961). Foi ainda nomeada para mais 3 Óscares com os filmes "A Árvore da Vida" (1958), "Gata em Telhado de Zinco Quente" (1959) e "Bruscamente no Verão Passado" (1960). Embora "Cleópatra" (1963) não lhe tenha valido qualquer nomeação para os Óscares, o filme é um dos seus grandes sucessos.

A actriz também foi activista, tendo participado e organizado vários eventos a favor de causas humanitárias, nomeadamente contra a SIDA. Em 1991 fundou a American Foundation for AIDS Research (AmFar), após a morte do seu colega actor e grande amigo Rock Hudson, em 1985.

Ver Fotogaleria

terça-feira, 22 de março de 2011

Há imagens que dizem mais do que mil discursos!



Diz o anúncio "Porque há coisas que só acontecem às mulheres [como, por exemplo, romper as meias?!], a Fidelidade Mundial e a Império Bonança têm o Seguro Mulher. É um seguro de vida criado para a proteger em caso de doenças graves femininas (...) (e.g., ver revista Visão, p.22, Nº. 940)

segunda-feira, 21 de março de 2011

Hoje celebra-se o Dia da Poesia!

Por isso, deixo aqui “Catarina Eufémia”, um poema de Sophia de Mello Breyner Andresen

O primeiro tema da reflexão grega é a justiça
E eu penso nesse instante em que ficaste exposta
Estavas grávida porém não recuaste,
Porque a tua lição é esta: fazer frente

Pois não deste homem por ti
E não ficaste em casa a cozinhar intrigas
Segundo o antiquíssimo método obliquo das mulheres
Nem usaste de manobra ou de calúnia
E não serviste apenas para chorar os mortos

Tinha chegado o tempo
Em que era preciso que alguém não recuasse
E a terra bebeu um sangue duas vezes puro

Porque eras a mulher e não somente a fêmea
Eras a inocência frontal que não recua
Antígona poisou a sua mão sobre o teu ombro
no instante em que morreste
E a busca da justiça continua

domingo, 13 de março de 2011

As Mulheres não são Homens!


Ainda a propósito do Dia Internacional das Mulheres, veja a crónica de Boaventura Sousa Santos na última Revista VISÃO (Nº 940, 10 a 16 de Março de 2011)
- As Mulheres não são Homens

Salientarei aqui apenas duas frases:

- Os dias ou anos internacionais não são, em geral, celebrações. São modos de assinalar que há pouco para celebrar e muito para denunciar e transformar.

- Ser feminista significa reconhecer que a discriminação existe e é injusta e desejar activamente que ela seja eliminada.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Bastonário da Ordem dos Médicos considera publicação claramente homofóbica na Revista da Ordem "normal"!

Na edição de Janeiro da Revista da Ordem dos Médicos foi publicado um artigo de opinião intitulado “O sentido do sexo” da autoria de William H. Clode, director do Instituto Português de Oncologia (IPO). Neste artigo, o autor aborda os cinco sentidos, o "sexto sentido" e o "daltonismo dos sentidos". Nesta última secção entre várias afirmações, podemos encontrar que: "A sociedade homossexual diferencia-se da heterossexual pelos gestos, pela fala, pela indumentária, pelos gostos e por manifestações subtis que identificam um comportamento." e "a homossexualidade é conhecida desde que o ser humano está na História do Planeta. É repudiada em todas as civilizações, mas tolerada nas civilizações mais evoluídas pois a humanidade aprende a respeitar os doentes, os defeituosos, os anormais, os portadores de taras…"

Dito isto, podiamo-nos questionar sobre o pensará José Manuel Silva (bastonário da Ordem dos Médicos, recentemente eleito) sobre este artigo homofóbico?

Pode ler aqui o excerto da polémica:




A Rede Ex-aequo (associação de jovens lésbicas, gays, bissexuais, transgéneros e simpatizantes) escreveu uma carta aberta ao bastonário da Ordem dos Médicos e à Direcção da Revista da Ordem dos Médicos, pedindo a condenação do artigo de William H. Clode. De acordo com o Jornal público, basicamente, o Bastonário dos médicos acha “normal” texto contra homossexuais - Sociedade - PUBLICO.PT

Em suma, há neste artigo uma discriminação que é flagrante, no qual os homossexuais são classificados como “doentes”, “defeituosos”, “anormais”, “portadores de taras”, com “condutas repugnantes”, “higiene degradante” e que requerem “correcção”, e o Bastonário simplesmente recusa-se a dar a sua opinião sobre o artigo!? E ainda salienta que a Revista da Ordem “é plural e livre” e que “os artigos de opinião são da responsabilidade dos seus autores”?! E continua, clarificando que “Não há censura na Revista da Ordem dos Médicos, nem ninguém na Revista usa as suas opiniões pessoais para censurar a opinião dos outros. Isso não seria estar a viver em democracia”, defendeu o bastonário, que considera que tudo foi feito de “forma transparente, democrática e normal”?!

Então, será que o sr Bastonário conhece, por exemplo, o art.13.º da CRP?

Há que fazer bem o trabalho de casa para se evitar dizer este tipo de barbaridades. Já todos/as sabemos, por exemplo, que há duas décadas que a OMS retirou a homossexualidade da sua lista de doenças mentais e que a Amnistia Internacional considera a discriminação contra homossexuais uma violação aos direitos humanos!

O Código Penal também prevê no art.º 240 a punição de crimes de “discriminação racial, religiosa ou sexual”. De acordo com o Código Penal, “quem, em reunião pública, por escrito destinado a divulgação ou através de qualquer meio de comunicação social ou sistema informático destinado à divulgação (...) difamar ou injuriar pessoa ou grupo de pessoas por causa da sua raça, cor, origem étnica ou nacional, religião, sexo ou orientação sexual (...) é punido com pena de prisão de seis meses a cinco anos”.

Neste contexto, como pode o sr Bastonário querer tratar deste artigo, claramente homofóbico, como um mero artigo de opinião, escrito num país livre e democrático!? Parece claramente acreditar que em democracia tudo é permitido?!

Sugiro, então, um exercício velho, mas simples: coloquem-se sempre no lugar das outras pessoas e não lhes façam aquilo que não gostariam que vos fizessem!

A Ordem dos Médicos pode ser contactada através deste site.