
E você, considera-se feminista?
Porquê, ou por que não?

Eu gostei muito de ter participado na SlutWalk de Lisboa e gostei mais ainda de ver que muita gente aderiu a esta luta pelo fim do machismo! Admito que teve mais sucesso do que aquilo que eu esperava, pois sei que ainda são muitas as resistências aos feminismos e ainda mais ao feminismo dito radical.
Obviamente foram várias as razões que nos levaram à Marcha no sábado. Por mim, não é preciso recuar muito na história para dar alguns exemplos, basta-me recordar 2 ou 3 sentenças muito recentes:
1º - Psiquiatra absolvido de violação de paciente grávida - Sociedade
2º- Treze meses de prisão, com pena suspensa, homem que desde 1969 batia na mulher
3º - o caso Strauss-Kahn
Nesta fase, alguém acredita que o Strauss-Kahn vai ser condenado e preso? Talvez! A verdade é que nunca se sabe quando é que a Justiça decide mostrar que funciona, dando um exemplo. Mas o simples facto de duvidarmos já significa alguma coisa, não é? Exemplos como os 3 que destaquei mostram bem como é triste e pouco justa a realidade! O comentário do polícia de Toronto foi a gota de água!
Por isso decidi participar.
Obviamente, ao contrário do que um blogueiro afirmou nos postes anteriores, nesta marcha, nós não nos dirigimos somente aos violadores (e por mim falo), porque isso seria utópico. Nós dirigimo-nos a toda a sociedade (homens, mulheres... ): queremos o fim do MACHISMO. Será ainda mais utópico?
Alguns comentários que tenho visto sobre a Slutwalk de Lisboa aqui e ali, fazem-me ver que sim. E desengane-se quem pensar que vêm só de homens. Alguns também vêm de mulheres. Conheço, pelo menos, um exemplo de uma mulher que foi à marcha (organizada por um grupo de pessoas com muito esforço) e tirou várias fotografias para depois as colocar na Internet (sem autorização das pessoas) e se divertir a comentá-las com os/as amigos. Acreditam?!
Como eu já disse aqui, eu prefiro manifestar-me e lutar por aquilo em que acredito de forma pacífica e limpa. Uma das minhas lutas é a igualdade de género, porque acredito que homens e mulheres têm os mesmos direitos e os mesmo deveres e que a sociedade mais igualitária será melhor para todos/as. Que isto chateia alguns homens não é de admirar, mas ver mulheres a chacotear sobre o trabalho das/os outros é, no mínimo, triste!
É caso para dizer “o que tu merecias sei eu”!
Hoje é um dia histórico, em termos de igualdade de género, na política portuguesa. Pela primeira vez, foi eleita uma mulher para presidir à Assembleia da República - Assunção Esteves - a segunda figura do Estado.
Assunção Esteves nasceu em Valpaços há 54 anos. É licenciada em Direito, mestre em Ciências Jurídico-Políticas e, segundo a Visão, também foi a primeira mulher a desempenhar o cargo de juíza no Tribunal Constitucional, onde esteve entre 1989 e 1998.Relativamente à política, também já tem um longo percurso. Foi eleita deputada do PSD em 1987, pelo círculo de Vila Real, e novamente em 2002. Em 2004 integrou a lista da coligação PSD/CDS-PP e foi eleita eurodeputada.
Na sua primeira intervenção, enquanto presidenta da Assembleia da República, Assunção Esteves defendeu, nomeadamente, que é exigido aos deputados [e eu incluiria, e às deputadas] uma "reinvenção da Democracia". Nós esperamos que esta reinvenção considere uma maior igualdade de género!
É preciso nunca esquecer que este momento é histórico, tendo sido precisos 37 anos de democracia para pensarem numa mulher para este cargo!
A manifestação é já no próximo sábado, dia 25 de Junho.
Trata-se de um movimento internacional pelos direitos das mulheres que tem vindo a crescer e está agora a chegar ao nosso país.
O SlutWalk nasceu no início deste ano em Toronto, no Canadá,
Felizmente, em Toronto, a reacção não se fez esperar: um mês depois, 3 mil pessoas, sobretudo mulheres, vestidas como quiseram, protestaram nas ruas desta cidade, em defesa das vítimas e do seu direito à autonomia sobre seus corpos.
Desde essa altura, foram organizadas manifestações em vários países, no sentido de chamar à atenção para a violência sexual contra as mulheres.
De facto, o Movimento já chegou ao México, com a 'Marcha das vagabundas', onde algumas das principais mensagens eram “Nem putas, nem santas, somos mulheres!” e “Não, significa não!”.
Também já chegou a Sydney e ao Brasil, com a “Marcha das Vadias”, a "Marcha das Vagabundas", ou a "Marcha Anti-Machismo" .
No sábado passado, também em Londres, Milhares desfilaram (de mulheres e alguns homens) nas ruas de Londres pelo direito de vestir roupa provocante sem recear agressões. Manifestaram-se pelo direito de se vestirem como quiserem e protestaram contra as agressões sexuais.
Em declarações à Rádio Renascença ontem o líder do PSD, o Dr. Pedro Passos Coelho que quer reavaliar lei do aborto e admitiu novo referendo. Considera que a lei, aprovada pelo Parlamento, e com a qual concordou, pode “ter ido um pouco longe demais” e tem de ser reavaliada, não excluindo a possibilidade de realização de um novo referendo sobre a matéria!
Pois eu tenho a opinião contrária Dr. Passos Coelho, eu acho que nós esperamos foi tempo demais por esta lei! Portugal foi um país que até ao séc. XXI (precisamente, 2007) obrigava as mulheres a colocar a sua vida em perigo, persegui-as e chegou mesmo a condenar algumas com vários anos de prisão!
Com esta lei, demos um enorme passo à frente no que diz respeito aos direitos humanos e aos direitos das mulheres e, obviamente, as suas declarações foram acolhidas com grande indignação tanto pelas pessoas que votaram SIM ao aborto, como pelas pessoas que lutaram para isso durante mais de três décadas!
Veja, por exemplo,
Sugestão de Passos Coelho põe em causa luta de três décadas das mulheres portuguesas - UMAR
UMAR contra proposta de Passos Coelho sobre lei do aborto
De facto, organizações, como a UMAR, tiveram um papel fundamental ao longo de todos estes anos, trabalhando pelo direito à dignidade das mulheres e por um direito de escolha que antes lhes era negado no nosso país. E esse direito foi legitimado pelo referendo de 2007. Por isso, há que respeitar a vontade das pessoas!
A dirigente da UMAR, Manuela Tavares, considerou um absurdo que o debate sobre o aborto surja nesta campanha, é “triste que um líder político à busca de votos” procure “agradar nas áreas mais conservadoras e retrógradas”! É uma contradição!
Também a Associação para o Planeamento da Família (APF) rejeita a reavaliação da lei do aborto, lembrando que lei do aborto tem sido sempre avaliada desde que entrou em vigência há quatro anos. Duarte Vilar, da APF, referiu que, ao contrário do que afirmou o Dr. Passos Coelho, a “lei tem sido objecto de avaliações várias: todas as IVG estão registadas, a Direcção-Geral de Saúde tem feito relatórios semestrais e anuais sobre a IVG, tem havido inspecções aos serviços de IVG feitas pela Inspecção-Geral da Saúde e têm ocorrido encontros anuais de profissionais envolvidos nos serviços de IVG de todo o país”.
Segundo Manuela Tavares, o número de abortos tem diminuído. Por isso, este facto já é uma vitória para a lei, para as mulheres e para o país! Mas nada melhor do que ouvir a Própria Professora Manuela Tavares:
Hoje vi, finalmente, “Amelia”, um filme com Hilary Swank, Richard Gere e Ewan McGregor. Retrata a vida de Amelia Mary Earhart, pioneira na aviação dos Estados Unidos, autora e defensora dos direitos das mulheres.
