domingo, 23 de dezembro de 2012
sexta-feira, 21 de dezembro de 2012
BOAS FESTAS & Sugestão de um Presente

quinta-feira, 22 de novembro de 2012
Fim de Semana Pelo Fim da Violência Contra as Mulheres
Apresentação dos números da violência contra as mulheres.
Colocação de uma placa no jardim com o nome de algumas das mulheres assassinadas no contexto de violência doméstica, na cidade de Lisboa.
No espaço associativo MOB - Travessa da Queimada, 33, Bairro Alto - Lisboa
18h| Workshop de Defesa pessoal para mulheres com Sakura Mónica
22.30h | RITA RED SHOES
| DJ Miss Sara
15h | Marcha pelo Fim da Violência Contra as Mulheres |
Largo Camões - Martim Moniz
| Mercado Fusão Martim Moniz
| Orchidaceae Urban Tribal
| Teatro O Bando
| Dj SoulFlow
Organização: Rede 8 de Março
A "Rede 8 de Março" é constituída pelas seguintes associações/colectivos:
UMAR
Associação de Combate à Precariedade - Precári@s Inflexíveis
Panteras Rosa
SOS Racismo
Comunidária
Clube Safo
rede8marco@gmail.com
24 e 25 de Novembro 2012
Fim-de-semana de ação
Pelo Fim da Violência Contra as Mulheres
Nós mulheres rejeitamos a exploração do nosso corpo e da nossa identidade presente na publicidade, montra voraz do capitalismo e do machismo. Muitos anúncios publicitários representam uma forma explícita de violência simbólica sobre as mulheres. Recusamos o puritanismo, é certo, mas também recusamos os estereótipos, a exploração, as ideias feitas que ditam medidas, gostos, comportamentos e promovem estigmas e discriminações. As pessoas não são mercadoria.
Nós mulheres exigimos que a Justiça atue melhor, mais rapidamente, com transparência e protegendo efetivamente as cidadãs de situações de risco. Em 2012, já 33 mulheres foram mortas pelas mãos dos seus maridos, companheiros, namorados e ex. A casa não pode ser um espaço de medo e opressão, bem como as relações e os laços familiares. Sabe-se que, na Europa, uma mulher é vítima de violência doméstica a cada 48 horas. Queremos viver livres e amar sem submissões, controlo ou violência. Não somos de ninguém, somos donas da nossa própria vida.
Nós mulheres imigrantes vivemos numa condição de extrema austeridade, porque resistimos à injustiça de uma cidadania diminuída, à discriminação e à segregação. Dizemos basta à exploração e ao tráfico. Queremos ser cidadãs de pleno direito.
Nós mulheres lésbicas queremos viver a nossa sexualidade em liberdade e em todos os espaço da esfera social e politica. A sociedade moralista tem limitado a emancipação das mulheres também no que se refere à vivência da sua sexualidade, impedindo-as de manifestarem abertamente os seus desejos e experienciarem o prazer sem medos, culpas ou tabus. Rejeitamos os modelos e as normas sexistas e heterosexistas que apenas geram a violência do preconceito e da discriminação.
Nós mulheres transexuais queremos viver a nossa identidade livre de opressões. Não queremos depender de decisões de “autoridade médica” e demais mecanismos patriarcais de controlo e desumanização. Ser mulher é exigir o direito universal à autodeterminação, à autodefinição, à identidade, pela livre orientação sexual e pela livre expressão de todos os géneros.
Nós mulheres trabalhadoras do sexo queremos ver reconhecida a dignidade do nosso trabalho, com direito a ter direitos. Violência é considerar indignas as mulheres que prestam serviços sexuais, sejam elas bailarinas, atrizes, telefonistas ou prostitutas, perpetuando o estigma, empurrando-as hipocritamente para o isolamento, a desproteção social e a insegurança.
Nós mulheres, trabalhadoras domésticas em casa e fora dela, afirmamos que o nosso trabalho, apesar de não aparecer nas estatísticas nem nos media, gera riqueza e bem-estar, e que este sistema económico e social mantem-se à custa do trabalho invisibilizado que nós realizamos. Além disso, todas nós ainda acarretamos uma violenta dupla jornada de trabalho, despendendo, por dia, mais 4h de trabalho não pago do que os homens. O trabalho doméstico não tem género, tem de ser partilhado.
Nós mulheres, somos cerca de 600 mil desempregadas e milhares sem qualquer fonte de rendimento, milhares de trabalhadoras precárias. Sabemos que a austeridade nos quer mandar de volta para casa, aprisionando-nos a uma condição que tem os contornos da dos séculos passados. A mesma estrutura sexista subsiste e continua a organizar a nossa sociedade, estipulando os papéis sociais que cada pessoa deve ter. Nós não ficaremos reféns desta ideologia retrógrada.
Nós mulheres estamos empenhadas na construção de um outro mundo mais justo, onde a igualdade de género seja uma realidade e a emancipação das mulheres o seu caminho. Exigimos a mudança, os mesmos direitos e as mesmas oportunidades.
Nós mulheres, porque somos muitas e não estamos sós, porque é uma responsabilidade de todas e de todos, no fim-de-semana de 24 e 25 de Novembro exigiremos o fim da violência contra as mulheres.
No dia 24, teremos um concerto, um workshop de defesa pessoal e performances.
No dia 25, marcamos o ponto de encontro no Largo Camões em Lisboa, às 15h, para depois seguirmos manifestando-nos até ao Martim Moniz.
Nós decidimos.
Nós podemos.
Exigimos o fim da violência contra as mulheres!
quinta-feira, 16 de agosto de 2012
Concentração de protesto e solidariedade com as Pussy Riot
Aproveito para vos deixar aqui o vídeo que também já foi feito por cá.
segunda-feira, 9 de julho de 2012
sexta-feira, 6 de julho de 2012
terça-feira, 3 de julho de 2012
quarta-feira, 27 de junho de 2012
SLUT*WALK 2012
www.slutwalklisboa.wordpress.com
Se ponho um decote… Não é Não!
Se pus aquelas calças de que tanto gostas… Não é Não!
Se visto calções ou mini-saia … Não é Não!
Se uso burqa… Não é Não!
Se tenho as mamas à mostra … Não é Não!
Se durmo com quem me apetece… Não é Não!
Se sou virgem… Não é Não!
Se tenho mais de 60 anos … Não é Não!
Se passo naquela rua… Não é Não!
Se vamos para os copos… Não é Não!
Se me sinto vulnerável… Não é Não!
Se sou deficiente… Não é Não!
Se saio com xs maiores galdérixs…Não é Não!
Se ontem dormi contigo… Não é Não!
Se sou trabalhadora sexual… Não é Não!
Se és meu chefe… Não é Não!
Se somos casadxs, companheirxs, namoradxs… Não é Não!
Se sou tua paciente… Não é Não!
Se sou tua parente… Não é Não!
Se sou imigrante ilegal… Não é Não!
Se tenho relações poliamorosas… Não é Não!
Se sou empregada de hotel… Não é Não!
Se tens dúvidas se aquilo foi um sim, então… Não é Não!
Se és padre, imã, rabi ou pujari… Não é Não!
Se beijo outra mulher no meio da rua… Não é Não!
Se a pessoa com quem estou agora gosta de sexo a três… Não é Não!
Se sou brasileira, cabo-verdiana, angolana ou de outro país que sofreu colonização… Não é Não!
Se tenho mamas e pila… Não é Não!
Se disse sim e já não me apetece… Não é Não!
Se sou empregada doméstica… Não é Não!
Se adoro ver pornografia… Não é Não!
Se ando à boleia… Não é Não!
Se estamos numa festa swing, numa sex party ou numa cena BDSM… Não é Não!
Se já abrimos o preservativo… Não é Não!
NÃO é sempre NÃO. Quando é SIM, não há ambiguidades ou dúvidas porque sabemos o que queremos e sabemos ser clarxs.
quarta-feira, 13 de junho de 2012
Artigo sobre Género e Política
Um dos artigos do novo Número da revista "Sociologia, Problemas e Práticas, n.º 68 - Janeiro-Abril, 2012", é da minha autoria e da Profª Lígia Amâncio.
sexta-feira, 1 de junho de 2012
Convite para o Lançamento de um Livro “Do Défice de Cidadania à Paridade Política: Testemunhos de deputadas e deputados”.
Qual será a razão destas controvérsias? Por que se questiona o «mérito» das mulheres? Serão as mulheres percebidas como uma ameaça ao sistema?
segunda-feira, 28 de maio de 2012

Aceitei o desafio da APF para efectuar o percurso pelos mais recentes dados e abordagens sobre a participação e representação política das mulheres em foruns nacionais e internacionais. Uma abordagem que se cruza, inevitavelmente, com o debate em sede de ONU, Comissão Europeia, Conselho da Europa, Conselho Europeu, CPLP, entre outros, e aqui, sobretudo, no contexto do contributo de Portugal para o alcançar dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio (ODM), se entrecruzarem com áreas cruciais de desenvolvimento e direitos humanos, como a Educação, Saúde, incluindo a Saúde Reprodutiva, a Igualdade de Género e a Cooperação.
Este é um documento cuja leitura é proposta na altura em que se esperam decisões importantes e coerências reforçadas “entendemos que é essencial que documentos e estratégias no âmbito da cooperação e educação para o desenvolvimento de âmbito bi e multi-lateral reflictam não apenas os compromissos assumidos pelos países e entidades parceiras, mas também evidenciem os avanços que Portugal assume nesta matéria, o que será crucial para o compromisso de todos os ODM, mesmo para lá de 2015”.
É entendido que a Participação Política de Mulheres em Portugal: um contributo para o debate dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio é um alerta para a importância de não recuar nos ganhos alcançados no âmbito das politicas públicas e posicionamento de Portugal perante os compromissos assumidos na EU, na CPLP e Nações Unidas.
quinta-feira, 12 de abril de 2012
sexta-feira, 30 de março de 2012
"Albert Nobbs" Excelente filme!
“Albert Nobbs”. É mais um excelente filme que conta com a participação de Glenn Close. Baseado no conto "The Singular Life of Albert Nobbs", de George Moore, Glenn Close realiza o papel de uma mulher que, após um episódio traumático da sua vida, se disfarça de homem, para poder trabalhar como mordomo no hotel mais chique de Dublin e, deste modo, sobreviver na sociedade machista da Irlanda do século XIX. O filme mostra muito bem o sofrimento das mulheres naquela época.
Co-produzido por Glenn Close que, este ano, foi nomeada, e muito bem, para os Globos de Ouros e para o Óscares, na categoria de Melhor Actriz. É excelente!
quarta-feira, 14 de março de 2012
Bad Romance: Women's Suffrage
Está muito bom!
quinta-feira, 8 de março de 2012
Um Feliz Dia Internacional das Mulheres a todas as mulheres do mundo!
Por isso, ao contrário do que muitas pessoas afirmam, é preciso continuarmos a lembrar o 8 de Março, relembrando, nomeadamente, todas as lutas que já foram levadas a cabo pelas/os feministas de todo o mundo!
Sem elas/es, o mundo não seria assim.

terça-feira, 6 de março de 2012
Comemoração do Dia Internacional de Luta pelos Direitos das Mulheres
Coimbra A partir das 16h:
- ocupação simbólica da Praça 8 de Maio com a substituição temporária da placa e do nome da praça que nesse dia irá se chamar:Praça 8 de Março (Dia Internacional das Mulheres).
- Instalações: Histórias de Mulheres Estendidas
A Origem do Pecado
"A Colher, o Marido e a Mulher".
Funchal
Na Madeira, a UMAR celebra o 8 de Março com um jantar/ tertúlia de homenagem ao dia das Mulheres, pelas 19.30horas, no restaurante Pizaria "La Carbonara". Podem inscrever-se através do mail umarmadeira@gmail.com ou para o número de telemóvel 962981792.
De manhã, no Largo dos Galegos e Mercado Municipal: Colaboração com a Biblioteca Municipal e a Escola das Artes de Sines na iniciativa “Vozes no Feminino”. Dramatização emblemática, na perspectiva de género, sobre mulheres que marcaram a história.
Às 15h30, na Tenda no Parque Desportivo Municipal João Martins (ex-IOS): Enquadramento histórico-político do dia 8 de Março. Participação no lanche-convívio promovido pela CMS e recolha de testemunhos de mulheres do concelho. Iniciativas no âmbito da Semana da Igualdade de Género em Sines, do Projecto BIIG - Biblioteca Itinerante pela Igualdade de Género.
Em Braga, a UMAR participa na performance "ObjeSSão", às 16h do dia 10 de Março, frente à esplanada da Brasileira/Casa dos Crivos (mais informações, no facebook).
sexta-feira, 2 de março de 2012
2 de Março - DIA EUROPEU DA IGUALDADE SALARIAL
Com o objectivo de sensibilizar a sociedade para este facto e incentivar a promoção de medidas para eliminar o fosso salarial que existe entre homens e mulheres nos Estados-Membros, a UE instituiu o Dia Europeu da Igualdade Salarial.
O dia 2 de Março não foi escolhido ao acaso. Veja na CITE a história, assim como alguns dados estatísticos importantes.
terça-feira, 28 de fevereiro de 2012
Flash Mob dia 8 de Março: "O aborto é um direito"!

Ainda há entraves burocráticos nos centros de saúde, por exemplo, no encaminhamento para as consultas prévias. Durante este processo, por vezes, o pequeno prazo estipulado de 10 semanas é ultrapassado e as mulheres vêem negado o seu direito à IVG e são arredadas para o espaço da punição e da clandestinidade.
Os direitos não podem ter prazos de validade e nós não queremos continuar a ser cidadãs de segunda, vendo as nossas vidas decididas pelo Estado ou por qualquer cardeal.
As/Os governantes insistem na ideia de que a melhor forma de evitar e prevenir o aborto é proibir ou encarecer, e, por isso, o Governo prepara-se para taxar o aborto, aumentando brutalmente as taxas moderadoras, em particular a aplicável para o caso de repetição.
A isto respondemos: a prevenção faz-se através do planeamento familiar gratuito e universal e de uma educação sexual alargada à sociedade.
A crise não pode ser uma desculpa para taxar direitos nem para os retirar.
Não podemos deixar em mãos alheias o destino que queremos dar ao nosso corpo e à nossa vida. A lei do aborto tem de ser uma lei que nos sirva, a nós mulheres, e não uma que sirva apenas os interesses económicos económicos, impondo modelos éticos, de família, de maternidade.
Por isso, no dia 8 de Março, afirmamos a nossa posição e dizemos:
«O aborto é um direito.»
Traz um papel/cartaz com esta frase e aparece 5ª-feira, dia 8 de Março, às 18:30h, para participar num Flash Mob, em frente à residência oficial do 1º Ministro.
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012
Vídeo sobre os feminismos
Mostra, nomeadamente, como é que as avós viveram os feminismos nos anos 70, no Brasil Como vêem o movimento actualmente? Quais foram as grandes e verdadeiras conquistas? E de que forma as mulheres lidam com esta herança?
A Vovozinha e o Feminismo from Renata Druck on Vimeo.
FESTA FEMINISTA – O LADO F DA CRISE - 9 de Março 2012*

Galeria Zé dos Bois
Rua da Barroca, nº 59, 1200-047 Lisboa
Rede 8 de Março
Para comemorar o 8 de Março - Dia Internacional das Mulheres -, no tempo em que a crise e a austeridade ameaçam todos os direitos, os que temos e os que ainda queremos conquistar, decidimos contrariar o conformismo e o isolamento e festejar a luta feminista. Juntamos movimentos sociais e lutas comuns, afirmamos a solidariedade e agimos em conjunto. Propomos uma festa onde todas as pessoas tenham lugar, um espaço livre de opressões e preconceitos, no qual as mulheres são as protagonistas. O lado feminista da crise é o da festa e o da força da nossa resposta – ampliar o campo do possível, tomando o futuro nas nossas mãos.
UMAR
SOS Racismo
ComuniDária
Precários Inflexíveis
Panteras Rosa
Clube Safo
ACEGIS
AMPLOS
Diálogo e Acção - Hip-Hop pela paz
Grupo Transexual Portugal
ILGA
Médicos pela Escolha
Opus Gay
https://www.facebook.com/events/385960594753352/
quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012
terça-feira, 14 de fevereiro de 2012
Dia das namoradas e dos namorados!
Efeitos da crise na vida das mulheres na Europa
Aqui fica o primeiro vídeo da campanha, realizado pela coordenação europeia da Marcha Mundial das Mulheres.
Integra depoimentos de activistas da Albânia, da Macedónia, da Bélgica, da Itália e de Portugal, da Suíça e da Turquia.
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012
Tolerância zero à mutilação genital feminina!
Embora não sejam conhecidos números concretos, sabemos que a MGF teima em persistir. "Por tradição, razões estéticas, ou deleite dos maridos, ainda se cortam os genitais a meninas e mulheres."
Por isso, é muito importante continuarmos a partilhar a informação que vai surgindo. Mais informação pode levar a mais prevenção e mais intervenção. Destaco duas entrevistas: a entrevista de Célia Rosa a Alice Frade e a entrevista da Amnistia Internacional Portugal a Sofia Branco.

Antes, quero apenas salientar que Alice Frade é antropóloga e, actualmente, é responsável do Departamento de Advocay e Cooperação para o Desenvolvimento da Associação para o Planeamento da Família (APF).
(Célia Rosa) Na véspera do Dia Internacional da Tolerância Zero às Mutilações Genitais Femininas, que se assinala amanhã, 6 de Fevereiro, o que é os portugueses precisam de saber?
(Alice Frade) Todos devem saber que no país existem mulheres de várias idades, incluindo crianças, que sofreram mutilação genital feminina (MGF) e que muitas delas têm nacionalidade portuguesa. Por esta razão é fundamental que os profissionais das áreas da saúde, educação e intervenção social tenham conhecimentos específicos sobre este tipo de crime (artigo 144 do Código Penal) e saibam o que fazer para prevenir, intervir e sinalizar. Não podemos continuar a ter médicos e enfermeiros que observam uma mulher com mutilação e pensam que ela tem uma malformação congénita ou que teve um parto mal feito.
Para que os leitores não tenham dúvidas, quando falamos em MGF estamos a dizer que há crianças, raparigas e mulheres a quem cortam o clítoris, os pequenos e os grandes lábios. Muitas também são sujeitas a um estreitamento da vagina e a outras práticas que alteram os seus genitais, todas dolorosas, traumatizantes, perigosas e atentatórias dos direitos humanos. É isto?
Sim, a OMS identifica quatro tipos de MGF que contemplam outras lesões, além dos cortes totais ou parciais do clítoris, pequenos lábios, grandes lábios e do estreitamento da vagina. Por exemplo, punções, perfurações e escarificações dos genitais e até o seu alongamento ou cosedura. Não precisa de haver corte. Qualquer intervenção feita nos genitais de uma menina ou de uma mulher por razões não médicas é uma mutilação. Está tudo descrito na Declaração Conjunta para a Eliminação da MGF, um documento que foi distribuído em Portugal aos políticos, profissionais de saúde e órgãos de comunicação social e que pode ser consultado na internet por qualquer pessoa. O alto-comissário para os refugiados, António Guterres, foi um dos subscritores. Também distribuímos, aqui e na Guiné-Bissau, em Moçambique e em Angola, o manual de formação para profissionais de saúde.
Que crenças sustentam a MGF?
Actualmente, a MGF já é entendida pela maioria das pessoas como uma prática violadora dos direitos das meninas e das mulheres. Mas quando é realizada nas comunidades de origem – países africanos, asiáticos e do médio oriente – serve para garantir a integração e o reconhecimento social das mulheres e o seu futuro: casar, ter filhos, cuidar e servir a família.
Nessas comunidades, as mulheres são excisadas para garantir que os seus genitais são bonitos (uma dimensão estética); que o clítoris ou os grandes lábios não tocam na cabeça do bebé no momento do nascimento (acredita-se que provoca doenças); que são intocáveis até ao casamento (crê-se que preserva a virgindade e depois a fidelidade); para aumentar o prazer sexual do marido (mais uma crença), etc. Nalguns países a única razão é discriminação de género.
É mais uma forma de controlo social das mulheres?
Sim. Há práticas tradicionais nefastas que só persistem porque são realizadas sobre mulheres. A MGF é uma delas, os casamentos forçados, a troca e venda de noivas são outras. E o que é mais chocante é saber que alguns países onde estas coisas acontecem recebem apoios importantes da comunidade internacional para a saúde e educação mas os líderes dos estados doadores não têm tido a capacidade de trazer estes temas para a agenda política, o que é fundamental.
Em que idade é que as meninas mutiladas?
Depende, o mais comum é entre os dez e os 14 anos. Nalguns casos, faz-se logo à nascença. Sobretudo nos países onde já existe uma lei que proíbe a MGF. Assim, o crime é mais facilmente encoberto e quanto mais pequena for a criança menos força tem e menos resiste.
As mulheres que se lembram da sua mutilação genital contam que sofreram horrores. Nós não conseguimos imaginar, pois não?
Claro que não. Nunca me esquecerei do relato de uma mulher que vive nos arredores de Lisboa e que me contou como foi a sua mutilação. Primeiro, passou vários dias amarrada e ajoelhada para aprender a obedecer; depois foi obrigada a comer deitada, sem olhar nos olhos das pessoas mais velhas, para aprender a respeitar. Finalmente, um dia, foi agarrada e imobilizada por várias mulheres que lhe prenderam os pés, as mãos e o tronco e foi cortada com uma faca (podia ter sido outro objecto cortante, um vidro ou uma lata). A história desta mulher é uma história de violação dos direitos mais básicos e ela sabe isso. Ainda assim, por causa dos factores associados à sua cultura e religião, cada vez que fala do assunto ela sente que está a atentar contra a suas raízes, contra as tradições do seu povo.
Como se estivesse a negar a sua identidade?
Exacto, e essa é uma das razões porque temos dificuldade em encontrar mulheres que falem sobre o tema. O medo das represálias é outra. Em Portugal, algumas mulheres que falaram publicamente da MGF sofreram retaliações da sua própria comunidade. E não será por acaso que não há nenhuma associação de mulheres originárias de países onde existe MGF cujo trabalho central seja as práticas tradicionais nefastas. A APF tenta trabalhar com as mulheres para que elas possam assumir um papel de destaque nas associações mas é muito difícil.
No mundo, estima-se que existam entre cem e 140 milhões de raparigas e mulheres com MGF. Um número alarmante?
Assustador. Quantos Costa Concórdia precisam de afundar para termos a dimensão da tragédia da MGF? E alguém conhece algum líder tradicional, primeiro-ministro ou presidente da república que tenha sido julgado porque no seu país 50 por cento das mulheres são mutiladas? É certo que muitos países aprovaram legislação proibitiva e desenvolvem trabalho directo nas comunidades – é o caso da Guiné-Bissau – mas ainda há um mundo de coisas para fazer até acabarmos com esta prática. E têm de ser as próprias comunidades a dizer não.
Na Europa estima-se que 500 mil mulheres tenham sido mutiladas e que 180 mil raparigas estejam em risco. Portugal também é um país de risco?
Portugal recebe migrantes de países onde a MGF existe e muitas meninas, incluindo algumas nascidas no país, estão em risco. Pensa-se que a maioria será sujeita à intervenção nos países de origem – antes de virem para Portugal ou durante uma deslocação nas férias, por exemplo à Guiné-Bissau. Cá, também haverá locais onde se pode fazer.
A MGF envolve grandes riscos para a saúde e pode levar as raparigas e as mulheres aos hospitais.
Pode provocar a morte. Mas cá, quando há infecções, hemorragias, dores e outros problemas, parece que as pessoas contornam o sistema. Ouvi um responsável da embaixada da Guiné-Bissau dizer num programa da RTP – África que quando a mutilação é feita no país de origem e as complicações se manifestam no regresso a Portugal, o que a comunidade fará é recorrer aos profissionais de saúde guineenses que exercem cá.
Os médicos nunca devem realizar actos de MGF mas há quem defenda que se o fizerem, em boas condições de higiene, as meninas e as mulheres correm menos riscos. O que acha disto?
Não podem, todos os organismos e associações médicas internacionais o proíbem. Mas nalguns países, no Egipto por exemplo, muitas mulheres são sujeitas a mutilação praticada por médicos.
Uma coisa é ler ou falar sobre MGF outra é conhecer essa realidade. O que é que já viu e o que sentiu?
Na Guiné-Bissau, da primeira vez, vi morrer uma menina de 17 anos, e os seus bebés, devido a um trabalho de parto que se complicou por causa da mutilação genital. Mais tarde, conheci uma rapariga de 18 anos que tinha sido banida da família porque tinha uma fístula obstétrica, com odor. Uma consequência do que lhe tinham feito e não havia meios para a tratar nem dinheiro para a enviar para o Senegal. Também morreu e deixou um recém-nascido órfão, de que ninguém quis cuidar. Aquelas duas mulheres sofreram horrores e nunca se queixaram. As que são mutiladas e não morrem também não se queixam. É destas sobreviventes que depende a vida da família e da comunidade – são elas que cultivam, vão buscar água e lenha, cozinham e lavam, cuidam dos maridos e dos filhos. Perante mulheres desta grandeza, não faz sentido falar das minhas lágrimas contidas."
A entrevista da Amnistia Internacional Portugal a Sofia Branco (jornalista da Agência Lusa, especializada neste tema) também a encontrei no facebook.
O pdf pode ser lido aqui: http://
quinta-feira, 26 de janeiro de 2012
Perante desigualdades de género, procure a CITE
A CITE está ao serviço das/os trabalhadoras/es e das entidades empregadoras. Por isso, sempre que considerar necessário, vá à CITE, ou informa-se em: www.cite.gov.pt
sexta-feira, 20 de janeiro de 2012
Découvrez le spot télé de la campagne pour l'égalité hommes-femmes
Pode ver aqui o vídeo:
Spot télé de la campagne pour l'égalité hommes-femmes
quinta-feira, 12 de janeiro de 2012
Quem não te respeita não te merece!
A campanha tem como objectivo sensibilizar a sociedade para formas de violência que ocorrem, nomeadamente, no contexto da escola (por exemplo, o caso do bullying, da violência sexual e da violência no namoro).
Vejam e divulguem.... e lembrem-se quem não nos respeita, não nos merece!